quinta-feira, 26 de maio de 2011

Elano mostra livro e fala em ampliar história com Libertadores

Nas páginas, fotos dos tempos de Guarani, do Santos de 2002 e dos primeiros passos da Seleção Brasileira. O livro “Assim me tornei Elano”, escrito por Renato Evangelista, amigo do meia santista, mostra um pouco do filho ilustre de Iracemápolis, cidade no interior de São Paulo. Mas o camisa 8 alvinegro já reclama do fato de a publicação estar desatualizada.

Atual campeão do Paulistão com o Santos, Elano disse que o livro ficou pronto antes do fim do estadual. Antes, também, do fim da Taça Libertadores, competição que vive nos sonhos do jogador desde a sua primeira passagem pelo clube. Com o Peixe, o meia vive a expectativa para a segunda partida decisiva contra o Cerro Porteño, pela semifinal do torneio.








 Elano lança biografia (Foto: Julyana Travaglia/Globoesporte.com)


- É um livro bem interessante porque ele é meu amigo e acompanha toda a minha carreira. Mas já tem de atualizar porque o Paulista não está aqui. Mas a história continua. Tem muita coisa que ainda pretendo colocar – afirmou Elano.

O camisa 8 santista já disputou a competição em 2003, quando o Peixe perdeu o título para o Boca Juniors. Na ocasião, ele não enfrentou os argentinos nas finais, pois estava lesionado. Oito anos depois, ele assume que tem uma responsabilidade maior por já ter um histórico no futebol europeu e na Seleção Brasileira – antes, era coadjuvante de um time orquestrado por Robinho e Diego.

- Nunca fugi das cobranças, assim como nunca me preocupei com isso. Toda vez que saio de um jogo, olho no olho do meu treinador para ver se está satisfeito e vou trabalhar ainda mais. Em 2002 eu era um garoto e estava em busca dos meus sonhos. Hoje muitos deles já se tornaram realidade. A cobrança é maior, mas estou preparado. Fui artilheiro do Paulista ao lado do Liedson (do Corinthians, com 11 gols), tenho mais três na Libertadores e acho que estou correspondendo – disse.

Por enquanto, o livro sobre a carreira de Elano só será vendido no interior de São Paulo. Enquanto alguns torcedores podem acompanhar particularidades da carreira do atleta, outros torcem para que ele tenha um final de Libertadores mais feliz. Depois de derrotar o Cerro Porteño por 1 a 0, no Pacaembu, o Peixe precisa de apenas um empate na próxima quarta-feira, no Paraguai, para chegar novamente à final do torneio continental.

- É uma competição que não tenho e está muito próxima. Sabemos das dificuldades, pois o Cerro Porteño é uma grande equipe. A gana para vencer brota cada dia quando me levanto da cama. Para o Santos seria importante vencer novamente e é gratificante ficar na história do clube.

Em primeiro ano, Chicharito supera barreiras e chega à decisão em alta

Não foi à toa que o Manchester United escondeu de Deus e o mundo o interesse em Javier Hernández, promessa de 20 e poucos anos do Chivas Guadalajara, do México. Mas nem os olheiros que o observaram por algumas vezes, entre 2009 e início de 2010, e avalizaram a contratação por £ 7 milhões (R$ 18 milhões), esperavam tamanho sucesso em sua primeira temporada como um diabo vermelho. O atacante superou quaisquer barreiras de adaptação, transformou a leve desconfiança em certeza de gols, colocou o artilheiro do Campeonato Inglês no banco e foi até o nome de vitórias decisivas. Chicharito, ou Little Pea (Pequena Ervilha) para os ingleses, tem mesmo uma estrela tão grande quanto sua dedicação.
especial javer hernandez manchester united  (Foto: Getty Images)

– É a revelação do ano na Inglaterra. Sentou no banco algumas vezes, mas a cada manhã chegava cedo ao treinamento para melhorar sua força física e era o último a sair – conta Sir Alex Ferguson, técnico do Manchester, sobre seu pupilo, prestes a completar 23 anos, na semana que antecede a finalíssima da Liga dos Campeões, sábado, às 15h45m (de Brasília), contra o Barcelona, no lendário estádio Wembley.

O palco não assusta. Lá ele marcou pela primeira vez com a camisa vermelha de forma oficial – já havia feito em amistosos que o Manchester disputou nos Estados Unidos, em julho. Em jogo que já valia troféu, Hernández anotou o segundo nos 3 a 1 sobre o Chelsea, pela Supercopa da Inglaterra, no dia 8 de agosto. Aos 31 minutos do segundo tempo, o cruzamento rasteiro de Valencia venceu Ivanovic e o goleiro Cech. Chicharito, com o gol vazio, completou com o pé-direito. A bola pegou um rumo inesperado, subiu e bateu com força em seu rosto antes de balançar as redes. Gol de predestinado.

– Chicharito superou o que era esperado dele com folga. As pessoas pensaram que ele poderia ter problemas para se adaptar com a nova vida na Inglaterra e em campo, mas ele tem se revelado uma das melhores compras de toda a temporada. Certamente, o melhor para os torcedores do United, é que parece ter ainda muito mais por vir – afirmou o jornalista Patrick Nathanson, da Rádio BBC.

Por que 'Chicharito'?
Àquela altura, no entanto, pouco se sabia sobre o mexicano. Demorou-se até para descobrir a origem de seu apelido. Filho de Javier Hernández “Chícharo” Gutiérrez, ex-atacante que disputou a Copa do Mundo de 1986, ele herdou o nome no diminutivo mesmo sem ter os olhos verdes do pai, comparados a uma ervilha.
especial javer hernandez manchester united  (Foto: Getty Images)


Com a bola, Chicharito caminha em largos passos para construir carreira maior. Já tem no currículo dois gols em Copa do Mundo, contra França e Argentina, mesmo sendo titular em apenas um jogo. Idolatrado pelos mexicanos, ele caiu rapidamente nas graças da torcida.

Javier foi marcando um gol em Old Trafford, outros longe de casa, quase sempre saindo do banco de reservas. Mesmo com o búlgaro Dimitar Berbatov liderando a artilharia da Premier League - terminou a competição no topo, ao lado de Tevez, com 21 gols -, Alex Ferguson sabia que algo não estava certo. Em fevereiro, tomou a decisão de promover Chicharito à titularidade. A parceria com o Rooney rendeu melhor do que o esperado e contrariou as expectativas quando fora anunciado.

– Não esperava muito de Hernández. Achei que Ferguson não tinha mais dinheiro, ou finalmente havia enlouquecido! Lembro do momento de quando o United o anunciou. Ninguém tinha ouvido falar direito dele – contou Ashley Gray, jornalista do diário “Daily Mail”.

– Quando me pediram para descobrir mais sobre ele, estava convencido de que fora uma má contratação. Não era um adolescente e não havia jogado muito pelo seu clube no último ano, além de outros grandes clubes não terem mostrado interesse por ele. Agora parece um jogador em clara evolução e também com grande instinto natural. Está na hora certa no lugar certo. É a marca de um natural “matador” – completou.
Berbatov Javier Hernandez gol manchester (Foto: AP)


  Números impressionam
Muito graças a esse instinto, Chicharito já pôde celebrar 20 gols pelo Manchester em 44 jogos (18 como reserva). Quatro deles na Liga dos Campeões, na qual fez do Olympique de Marselha e o Chelsea suas vítimas prediletas no mata-mata . Pela seleção principal do México, são 11 gols em 23 partidas. Talento que diz à vontade: trouxe do berço.

– Conto sempre com a ajuda da minha família e penso, por formação, que não há dinheiro ou profissão que faça com que eu me sinta melhor que outra pessoa – disse um humilde Chicharito.

Vindo de uma família de classe média, Javier não chegou à Inglaterra leigo. Bem educado, já falava inglês com facilidade quando pisou em Manchester. Ainda assim, chutou para a linha de fundo quaisquer problemas de adaptação, algo constante nas justificativas de 10 a cada 10 estrangeiros que fracassam, especialmente brasileiros.

– De fato, alguns veem riscos na compra de jogadores latino-americanos, ainda mais depois da experiência com Robinho no City. O estereótipo é de que eles penam para se adaptar à cultura e ao clima. No entanto, Chicharito parece um jovem brilhante que está curtindo o desafio. É difícil imaginá-lo reclamando da comida ou do tempo, como outros tantos fazem – afirmou Patrick Nathanson.

Em campo, no entanto, ele deverá ter dificuldades na próxima temporada.

– O segundo ano pode ser mais complicado. Todos já o conhecerão e terá a pressão para ao menos repetir o desempenho. Ele precisa se manter focado e determinado a evoluir, mas terá o Ferguson ao lado dele para que tudo corra bem. Mas há a preocupação de ele chegar cansado. Já não teve férias por conta da Copa do Mundo e agora irá disputar a Copa Ouro com o México – disse Ashley Gray.

Não duvide se a “Pequena Ervilha” chegar como herói de mais uma conquista até lá.





Estrelas estrangeiras do GP Brasil, jamaicanos ficam à vontade no Rio

O GP Brasil de Atletismo, que começa nesta quinta-feira, no Engenhão, estará mais uma vez recheado de estrelas de outros países, além dos principais nomes nacionais. Entre europeus, africanos, norte-americanos e até cubanos, os jamaicanos se destacam pela simpatia e também pela promessa de bons resultados. O velocista Dexter Lee e Melanie Walker.

À vontade com o clima brasileiro, Melanie elogiaram o ambiente "semelhante ao da Jamaica". Vale lembrar que todos os atletas dividiram o campo anexo do Engenhão.

- Você se sente em casa no Brasil. Olhamos para todos os lugares e parece que estamos na Jamaica - comentou a atleta, de 27 anos, que disputa a prova dos 400m rasos.

Comparado a Usain Bolt, o maior nome do esporte hoje, Dexter Lee rejeita o rótulo por ora.

- É difícil dizer isso. Meu objetivo é sempre fazer o melhor e orgulhar a Jamaica - afirmou.

Em busca da vitória na competição, Maurren Maggi, no salto em distância, e Fabiana Mürer, no salto com vara, esperam cravar a melhor marca do ano em suas modalidades.

De volta à seleção, Paula Pequeno e Mari esquentam briga entre ponteiras

Com o retorno de Paula Pequeno e Mari, recuperadas de lesões sofridas no Grand Prix que as tiraram do Mundial do Japão, em 2010, à seleção, Zé Roberto Guimarães terá uma dor de cabeça desejada por qualquer treinador. Além da dupla campeã olímpica, o técnico tem à disposição as ponteiras Fernanda Garay, Sassá e Natália, e precisa escolher duas delas para a equipe titular.
Mari no treino da seleção de vôlei (Foto: Helena Rebello / Globoesporte.com)

  Um dos principais nomes do Osasco nas últimas temporadas da Superliga, Natália ganhou a vaga no Grand Prix com as lesões das colegas e se destacou. Em teoria, largaria na frente na briga por posição, mas uma periostite (inflamação na parte externa do osso) na canela esquerda a impediu de treinar com bola desde que se apresentou na seleção, no dia 16 de maio. O treinador, entretanto, faz questão de frisar que a disputa está aberta.

- Não podemos descartar ninguém. A Paula está correndo atrás, trabalhando muito, assim como a (Fernanda) Garay e a própria Sassá.

Eleita a melhor jogadora das Olimpíadas de Pequim, vencidas pelo Brasil, em 2008, Paula Pequeno se diz renovada, tanto física quanto psicologicamente, para recuperar o posto.

- Infelizmente precisei de muito tempo para me recuperar, mas agora estou muito feliz por estar totalmente recuperada. Voltei super motivada e, em tudo que puder ajudar, vou dar o meu máximo. A briga por posição vai ser muito boa. Quanto mais gente boa e em alto nível na mesma posição, evoluímos mais, traçamos mais objetivos e mantermos mais o foco – disse a atleta, que teve uma lesão no tendão de Aquiles.

 Paula Pequeno no treino da seleção de vôlei (Foto: Alexandre Arruda / CBV)

Mari, que ficou mais de cinco meses de molho após uma cirurgia para reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho direito, voltou na reta decisiva da Superliga e foi campeã da competição com o Rio de Janeiro. Com um trabalho de força específico para evitar a ocorrência de lesões, a ponteira ressalta que, apesar da concorrência em quadra, as esportistas se dão bem fora dela.

- Somos uma equipe na base de muito treinamento, mas também pela convivência.

Peixe vence Cerro e fica a um empate da final da Taça Libertadores

Não foi de goleada. Muito menos por uma margem de gols que garantisse uma certa tranquilidade para a volta. Foi só de 1 a 0, um gol sofrido, de Edu Dracena, em jogada genial construída por Neymar. Mas é Taça Libertadores, semifinal, e, como sustentou o técnico Muricy Ramalho durante toda a semana, o importante era vencer o Cerro Porteño-PAR sem levar gols. Conseguiu. Agora, o Alvinegro está a um empate da final da competição continental. O jogo de volta será quarta que vem, às 21h50m (horário de Brasília), em Assunção, no Paraguai. Até houve chances para mais gols. Principalmente no último lance da partida, quando Alan Patrick, dentro da pequena área, sozinho, jogou nas pernas do goleiro Barreto. Os alvinegros esperam que, no fim, esse desperdício não faça falta.

Sorte de quem tem Neymar
O ambiente era o melhor possível. Pacaembu lotado de torcedores otimistas, Robinho aparecendo para assistir ao duelo e dar uma força, Neymar querendo jogo. Só que o Cerro Porteño não veio a São Paulo para ser coadjuvante de um show santista. Marcando implacavelmente as saídas de bola do Peixe, os paraguaios prenderam os anfitriões no meio-campo.

O Santos sentia demais a falta de um armador. Sem Ganso, machucado, Muricy Ramalho achou melhor deixar Alan Patrick no banco. Apostou em Elano para armar jogadas. O problema é que o camisa 8, preso no meio de uma multidão de camisas vermelhas, não conseguia prender a bola na frente, muito menos dar sequência nas jogadas. O lado direito da defesa santista passou apuros, com lances equivocados de Pará, que jogou no lugar de Jonathan, lesionado. O técnico do Cerro, Leo Astrada, escalou o meia Torres bem aberto, quase como um ponta esquerda, dando trabalho para o ala santista. Pelo alto, os paraguaios ameaçavam em alguns lances.

 Neymar Santos x Cerro Porteño (Foto: Miguel Schincariol / Globoesporte.com)

A situação era preocupante, mas o Santos tinha Neymar. Sorte de quem tem um jogador como ele. É craque e, como tal, não decepcionou. Jogador do improviso, da jogada inesperada, do drible improvável. Percebendo que o time não chegava, ele recuou e assumiu o papel de armador. Na verdade, se desdobrou para tentar fazer o que parecia impossível: armar e atacar ao mesmo tempo. Correndo, dando chapéus, apanhando, caindo, levantando, o prodígio alvinegro jogava por todos.

Aos 43, o astro recebeu pela esquerda, foi deixando marcadores para trás e cruzou da linha de fundo. Edu Dracena subiu mais do que todo mundo e cabeceou. Um gol chorado. A bola bateu no travessão e caiu centímetros além da linha fatal. Um gol de Libertadores.

Vaias para Zé Eduardo e vitória garantida
Perdendo o jogo, o Cerro se adiantou no segundo tempo, dando mais espaço para o Santos armar jogadas no meio de campo. Diferentemente do que aconteceu na etapa inicial, o Peixe tocava a bola no campo de ataque do adversário. No entanto, não conseguia invadir área paraguaia.

                                                                          
Zé Eduardo na partida do Santos contra o Cerro Porteño (Foto: Reuters)

Quando a bola chegava era para os pés de Zé Eduardo, que não dominava. Neymar buscava a aproximação, a tabela, mas o centroavante não correspondia. A cada jogada que errava, sentia o Pacaembu desmoronando em vaias sobre sua cabeça. A entrada de Maikon Leite em seu lugar foi comemorada como um gol pelos mais de 31 mil santistas que foram ao Pacaembu.

Com Maikon, o Santos passou a ter dois jogadores abertos pelas pontas, trocando de posições. Elano chegava pelo meio. O Peixe tinha espaços e a bola, mas não acertava jogadas. Neymar insistia em lances individuais, tentando resolver novamente sozinho, sem sucesso.

Ao fim, o Peixe venceu pelo placar mínimo e agora vai ao Paraguai tentando voltar à final da Libertadores após oito anos. A última vez foi em 2003, quando perdeu para o Boca Juniors.


 

Irretocável, Vasco vence o Avaí e está na decisão da Copa do Brasil

Com um desempenho individual e coletivo invejável, o Vasco fez uma das suas melhores partidas no ano e venceu o Avaí por 2 a 0, nesta quarta-feira, na Ressacada - no jogo de ida, em São Januário, houve empate em 1 a 1. O resultado coloca a equipe da Colina na decisão da Copa do Brasil após cinco anos. O adversário será o Coritiba, que na outra semifinal eliminou o Ceará (0 a 0 em Fortaleza e 1 a 0 no Couto Pereira).

A história da classificação cruz-maltina começou com um gol contra de Revson e foi sacramentada com Diego Souza, que teve ótima atuação. O primeiro jogo da final será na próxima quarta-feira, e o segundo, na semana seguinte. A ordem de mando de campo será sorteada nesta quinta-feira.

Antes, no entanto, o Vasco volta a campo pelo Campeonato Brasileiro. No domingo recebe o América-MG em São Januário, às 18h30m (de Brasília). O Coxa enfrenta o Corinthians, às 16h, no estádio Fonte Luminosa, em Araraquara.
 
Com desempenho brilhante, Vasco encurrala o Avaí

Como o 0 a 0 não servia, o Vasco se propôs a jogar como se fosse o dono da Ressacada. E o fez com grande categoria. Desde o apito inicial, foi para cima do Avaí, mas sem se desorganizar na defesa. Para surpresa da torcida catarinense, a equipe da Colina abriu o placar logo aos três minutos. Felipe cobrou falta do lado direito, e Revson desviou de cabeça na direção do próprio gol: 1 a 0. Ele já havia marcado contra nas quartas de final, no Morumbi, contra o São Paulo.

Poderia se imaginar que o Avaí fosse se lançar ao ataque desesperadamente para tentar a reação. No entanto, atordoado, o time viu o Vasco manter-se superior em campo. Com um alto índice de acerto nos passes, os cruz-maltinos foram criando chances em sequência. Felipe assustou com um chute de fora da área. Depois, após boa jogada de Allan, Diego Souza também esteve perto de ampliar, mas o defensor impediu. Os visitantes reclamaram pênalti.

Eder Luis era um dos que mais destacavam. Incansável também na marcação, era o motorzinho que levava o Vasco ao ataque. No meio, Felipe organizava o meio de campo com a técnica de sempre. A superioridade em campo logo se refletiu no placar novamente. Aos 34 minutos, Alecsandro deu ótimo passe para Diego Souza, que tocou com categoria por cima do goleiro Renan: 2 a 0.
 Diego Souza Alecsandro Eder Luis gol Vasco x Avaí (Foto: Ag. Estado)

Com a defesa vascaína bem postada, o Avaí teve poucas oportunidades claras de chegar ao gol. A melhor foi uma bola na trave após chute de Julinho, que, com seus avanços pela esquerda, era o mais perigoso dos jogadores da equipe catarinense. Durante a primeira etapa, o técnico Silas tentou deixar seu time mais ofensivo com a entrada de Rafael Coelho na lugar de Acleisson, mas a mexida não surtiu muito efeito.

Vasco mantém superioridade e fica com a vaga na decisão
Na volta do vestiário, o Vasco tentou não recuar demais e trazer o Avaí para o seu campo de defesa. Com Diego Souza inspirado, a equipe carioca seguiu muito perigosa. Por duas vezes o time acertou a trave, com o camisa 10 e com Ramon. O técnico Ricardo Gomes foi obrigado a fazer duas substituições por problemas médicos. Bernardo entrou na vaga de Eder Luis, com uma lesão na virilha, e Marcio Careca foi lançado no lugar de Ramon, que sentiu dores na coxa.

Não faltava disposição e correria para o Avaí, mas, com um meio de campo sem criatividade, o time catarinense pecava no último passe. A maioria das bolas passava pelos pés de Marquinhos, mas o meia pouco conseguiu produzir. A partir da metade da segunda etapa, a torcida vascaína aumentou a confiança e passou a gritar "olé" a cada passe.

Quando o Avaí conseguia chegar bem, esbarrava no grande dia dos volantes e zagueiros vascaínos, principalmente Dedé, que travou um chute perigosíssimo de Estrada. Os catarinenses lutaram até o fim, mas a noite era do Vasco, que ainda marcou mais uma vez, com Alecsandro, mas o árbitro anulou mal o gol - o jogador estava em posição legal. O apito final foi a senha para a comemoração vascaína em Florianópolis.

Mano abre o jogo: Seleção, Neymar, Ronaldinho, Ganso... e muito mais

Ele fala pausadamente. Mede cada resposta, fitando, com os olhos tremendamente azuis, o olhar do interlocutor. Preparo. Método. Luiz Antônio Vencker Menezes transpira método. E transmite preparo. Há sete anos, nem em seus sonhos mais destemidos ele imaginaria estar onde está. Não imaginaria que seu apelido - Mano - estaria na boca de cada brasileiro. Que seu olhar compenetrado se espalharia por jornais do país inteiro. Mas Mano Menezes chegou - e como chegou.

Dedicado, compenetrado e direto - o treinador, que  assumiu a Seleção Brasileira após a derrota na África do Sul, renovou a Seleção em diversos sentidos. Jogadores, estilo, hábitos - tudo mudou. As semelhanças entre a Era Dunga e a Era Mano começam e terminam no sotaque. São dez meses de trabalho - e dois amistosos antes da primeira competição oficial. Holanda, no dia 4 de junho, no Serra Dourada, em Goiânia, e Romênia, no dia 7, no Pacaembu, em São Paulo, são aperitivos para o primeiro grande teste de Mano: a Copa América.


Para falar desses dez meses - e do que vem pela frente, o treinador recebeu a reportagem do GLOBOESPORTE.COM em seu condomínio na Praia da Barra da Tijuca,  Zona Oeste do Rio de Janeiro. Num dia de céu azul, um elegante Mano de camisa azul falou sobre Neymar, Paulo Henrique Ganso, Kaká, Conca, Ronaldinho, Copa América, adversários, Dunga, preparação, futebol bonito etc. A entrevista, que foi realizada antes da primeira rodada do Campeonato Brasileiro, será publicada em três partes. A primeira você pode conferir a partir de agora:

Em relação ao Ronaldinho, existe um entendimento geral de que esse não é o momento. Se ele vai voltar a ter o momento, isso vai depender única e exclusivamente do Ronaldinho. E como a expectativa da chegada dele ao Flamengo foi bastante grande, o torcedor ainda não está satisfeito com o resultado final. Ali na frente, ele pode ficar mais satisfeito com o resultado final, aí ele pode querer o Ronaldinho na Seleção e provavelmente, se essas questões todas mudarem, o técnico também vai querer. Sinceramente, não sou cobrado com veemência para que convoque esse ou aquele. As pessoas estão entendendo que o trabalho é coerente. Sempre tem aquele torcedor mais apaixonado que pede o seu jogador na Seleção Brasileira e acho isso positivo. Mas as pessoas estão vendo o trabalho com o respeito que eu gostaria.
 Mano Menezes durante entrevista (Foto: André Durão / GLOBOESPORTE.COM)


MANO MENEZES: Nós convocamos 28 jogadores. Falar de ausências é quase que uma injustiça e uma incoerência. Temos 28 jogadores para falar sobre sua convocação. É natural no futebol brasileiro que mesmo com uma convocação dessas fiquem fora ainda jogadores que na opinião das pessoas poderiam estar. Nós tivemos uma conversa com o Kaká porque ele não está em condições de brigar por essa vaga na Seleção novamente. Isso pode vir a acontecer lá na frente. Sempre deixei claro que não são esses detalhes, como uma entrevista do Marcelo ou uma lesão, que são determinantes para excluir. O técnico não tem o direito de fazer isso por questões meramente pessoais, por pequenos melindres, a retirada de um jogador. Mas ao mesmo tempo que você não exclui jogadores por essa condição, você também não os coloca por condições que não sejam aquela que analisa claramente o momento, da importância. Vamos analisar a questão dos laterais. Você pesa a característica do outro lado. Temos quase um ponta que é o Daniel Alves. Você precisa pensar na formação de uma equipe pensando nisso. E lógico que você leva em consideração o jogador que está mais à disposição sempre. Você vai levar 22 jogadores para o torneio e você não pode se dar ao luxo de não ter um deles na hora mais importante. As coisas precisam ser claras quanto a isso. Não é por declaração, por questões pessoais, é por aquilo que acreditamos ser o melhor para a Seleção Brasileira.


Mano Menezes durante entrevista (Foto: André Durão / GLOBOESPORTE.COM)

Quando o Fluminense foi campeão brasileiro, o torcedor do Flu pedia muito o Conca na seleção. E isso é o sentimento natural da paixão. É o seu maior jogador, o escolhido, o craque. Infelizmente, nesse caso, não é possível.


É bom estabelecermos uma diferença bastante clara. Não há dúvida que o brasileiro, como um todo, gosta de ataque. E não é só no futebol. No basquete, o povo gosta muito mais da cesta do que da briga pela bola para fazer a cesta. Nós valorizamos o produto final. No futebol valorizamos muito o gol e quem faz o gol. Mas para fazê-lo existe uma questão básica. Você só faz o gol com a bola, então precisa tê-la. Ou manter a posse se bola - como faz por exemplo o Barcelona, a seleção da Espanha. Mas você muitas vezes não consegue manter na mesma proporção, porque não tem a qualidade de equipe para poder fazer isso. Então você trabalha com o futebol de retomada, transição e contra-ataque. Eu acho que é possível fazer das duas maneiras, mas existe uma diferença da retomada de bola também.

O Brasil do Mauro Silva e do Dunga não retomava a bola no campo do adversário, porque tínhamos dois atacantes que não participavam dessa retomada: Bebeto e Romário. Em função disso, o Parreira foi escolher a maneira de fazer essa retomada um pouco mais atrás. Então o Brasil, tradicionalmente, compôs, se organizou, marcou por zona, e quando da retomada de bola, estava pronto para o ataque que gostamos tanto. O Barcelona e a Espanha fazem a retomada no campo do adversário, então isso exige a participação imediata dos atacantes. Como filosofia, o jogador que perdeu a bola é o primeiro jogador a combater para retomada. Mas isso é uma cultura, e quando falamos isso para um jogador brasileiro, para um atacante brasileiro, ele mesmo tem arrepio.


  A maioria dos técnicos brasileiros está trabalhando assim já, com mais veemência nos clubes. Nossos jogadores se conscientizaram mais disso, porque tiveram problemas na Europa, porque começaram a ser reservas por não querer participar desse processo. Eu me lembro que um ou dois anos atrás, eu vi uma entrevista do Luis Fabiano quando ele estava vivendo um momento muito bom no Sevilla. E ele se referiu exatamente a essa questão, de ter tido muitos problemas no Porto por não marcar - e porque ele se transformou num dos principais atacantes da Europa e da Seleção Brasileira. Era porque ele começou a fazer parte desse processo de retomada.










O Muricy disse na festa do Paulistão que o Neymar é um craque e está caminhando para ser um gênio. Acha que é precipitado esse rótulo?
O brasileiro gosta de rótulos e não vamos eliminá-los. O torcedor gosta, precisa de jogadores como o Neymar para continuar tendo essa paixão incrível que ele tem pelo futebol, essa paixão que nos move, que nos fez cinco vezes campeões do mundo, então não vejo necessidade nenhuma de não fazermos isso de períodos em períodos para determinados jogadores. Eu procuro ter o cuidado, porque a nossa exigência deve ser alta, porque nos acostumamos assim, exatamente vendo os grandes jogadores que sempre produzimos. Para mim o craque é aquele que decide o jogo quando todo mundo espera que ele vá decidir o jogo. O craque decide o jogo quando todo mundo resolve marcá-lo para que ele não decida. E isso com consistência. Um jogo, dois jogos, um campeonato, dois campeonatos, um ano, dois anos, três anos. Então, é assim que procuro me definir quanto essas questões de rótulo. E Neymar está caminhando mesmo para isso. Agora, para se transformar nesse craque que achamos que ele tem potencial, ele tem de fazer isso em outro patamar. E as oportunidades vão vir agora com a Seleção Brasileira, com o Santos na Libertadores, porque a exigência é exatamente essa. E as coisas vão começar a acontecer em outro nível para ele agora.Neymar no treino da Seleção em Londres (Foto: Divulgação/Mowa Press)

 

Pretende explorar o entrosamento de Lucas e Neymar na Copa América?
Os dois jogadores estão convocados. Para ter uma equipe forte, você precisa ter o equilíbrio dessa juventude toda, com talento, com os jogadores que já fizeram parte de trajetórias vencedoras e até algumas com derrotas marcantes. Os jovens, às vezes, enxergam mais as vitórias, acreditam que são sempre possíveis, e não têm receio de absolutamente nada. Essa falta de um receio faz com que você se atire de peito aberto em todas as situações e é bom ter alguém do lado, que já passou por uma derrota forte, para dizer para ir mais devagar que do outro lado também tem gente de qualidade. Para dizer que é a hora de dosar, de colocar os pés no chão na hora da euforia. Na hora das críticas, o que pode vir a acontecer, afirmar que você não deixou de ser qualificado, de ser o cara importante, acendendo essa força interior, essa motivação. Acho importante ter tudo isso no grupo, sabendo o momento certo de aproveitar tudo isso. A única coisa que eu não posso deixar acontecer é perder a evolução desses jogadores. O Neymar está em um estágio à frente do Lucas, mas tenho que aproveitar esse momento e fazê-los chegar a 2014 muito fortes e bem preparados para disputar uma Copa do Mundo. Essa é a missão que tenho.

Essa geração é talentosa. Você acha essa geração homogênea ou as revelações são esporádicas, apenas em algumas posições?
Temos um número muito grande de talentos em todas as posições e isso criou uma expectativa muito positiva. O sub-20, quando iniciou, reuniu um grupo de alta qualidade para jogar a vaga no Mundial e na Olimpíada. Já tínhamos expectativas altas sobre o Neymar e nem tão altas sobre o Lucas. Quando terminou a competição, os dois jogadores estavam praticamente no mesmo nível. Além deles, ainda surgiram o Casemiro, o Alex Sandro, o Danilo. Você vai vendo que outros jogadores se aproximaram desse nível alto e se criou uma perspectiva para a continuação deles na Seleção principal. Em um primeiro momento trouxemos Lucas e Neymar, que já havia feito parte das primeiras convocações. Na Seleção Olímpica, nós vamos usar um número maior deles. O somatório disso é que vai ser importante porque teremos ao lado dos jogadores com uma trajetória maior o famoso equilíbrio, a maturidade da equipe, para que a seleção seja confiável e se torne uma favorita para conquistar o título da Copa do Mundo de 2014.

Essa geração tem demonstrado personalidade, o Neymar e o Ganso em especial. Tivemos o caso célebre da final do Paulista de 2009, em que o Ganso se recusou a sair e decidiu o jogo...
Essa questão da personalidade é individual. Isso você não coloca no jogador. Ou ele tem, ou não tem. Existe o jogador que no momento mais difícil dá uma sumida do jogo. Outros crescem. Isso não tem idade. É questão de personalidade. Discordo daquela questão da final do Campeonato Paulista, discordo bastante. Uma coisa é ter personalidade e outra é indisciplina. Indisciplina não cabe em trabalho nenhum. Ela nunca termina bem. Demora um pouco mais, mas vai aparecer ou vai deixar uma feridinha aberta, que lá na frente pode se transformar em algo maior e sempre vai ser prejudicial. Não sou radical na questão do relacionamento, sou um técnico aberto porque penso que o jogador precisa assumir a responsabilidade dentro do trabalho. Para ele assumir, ele precisa ser ouvido e quando falar, falar com responsabilidade porque precisa entender o seu papel no grupo. Não tenha duvida que isso é diferente em alguns jogadores e essa diferença os faz ficar maiores. Basta deixar claro que isso precisa ser sempre em favor do bem maior.



Você acha que Ganso errou?
Quando você está de fora, você nunca tem todas as informações de como aconteceu algo dentro de um jogo de futebol. Aquela resposta pode ter sido absolutamente normal. Alguém poderia estar perguntando se ele queria sair e ele respondeu para conferir informação. Ele pode ter feito um sinal que não havia necessidade de fazer. A maneira como o assunto foi tratado pela imprensa é que eu não concordo. A grande maioria naquele momento considerando que ele não quisesse sair achou que era uma questão de personalidade. Se mesmo você quiser ficar e o comandante achar que você deve sair, bom, você não pode inverter as ordens das coisas, não é mesmo?